quinta-feira, 22 de maio de 2014

Praia do Futuro e o "mito Capitão Nascimento"

Na minha singela opinião, os "problemas" que "Praia do Futuro" vem sofrendo com o público partem de dois conflitos principais: do "mito do Capitão Nascimento", que os brasileiros compuseram a partir da atuação de Wagner Moura nos dois filmes da 'saga', já que pra boa fatia dessa gente, o ator que fez o herói machão caçador de "mofis" cariocas "não pode se" (sic) Donato, o salva-vidas que ele interpreta nesse longa novo; do fato de "Praia" ser um dos primeiros filmes do gênero a rodar em larga escala, a despeito da temática gay séria e do ritmo pouco sugestivo (não vi ainda, mas essa é a maior reclamação das pessoas que viram).

Dá pra entender o quanto que esse provincianismo prejudica a recepção comercial de certos filmes com as falas de Harry Hamlin, Barry Sandler e Daniel Melnick no doc "O Outro Lado de Hollywood". Segundo a fala dos três, ator, roteirista e produtor, respectivamente, do ótimo "Fazendo Amor", de 1982, produzido pela gigante Fox e pioneiro no campo em que o Brasil só está entrando agora, durante certas sessões houve gente saindo dos cinemas, gente reclamando que "não foi avisada" e a imagem de machão de Hamlin (que tinha interpretado Perseu um ano antes no clássico "Fúria de Titãs") indo por água abaixo - coisa que ainda não aconteceu com o Wagner Moura. No longa, Harry Hamlin faz o "destruidor de lares" que desperta o interesse emocional do personagem de Michael Ontkean, casado há anos com uma mulher e mantenedor de uma relação aparentemente estável.

Demorou alguns anos para que os estúdios reconhecem essa temática como realmente válida e para que o público reconhecesse boas histórias "no meio daquele monte de veado e sapata se pegando". Na verdade, os louros só viriam com "Meninos Não Choram", "Monster" e "Brokeback Mountain", ganhadores de Oscar e que estrearam nos cinemas entre o fim da década de 90 e o começo da década passada. Como o fenômeno é novo, não perceberemos mudanças enquanto as produtoras não baterem nessa tecla e botarem mais filmes como "Praia" em circuito grande no Brasil. Mas, nós sabemos que no mundo do cinema comercial mainstream, não há espaço para "praias do futuro", e que, pelos menos por alguns anos, vamos continuar a ver as comédias da Globo Filmes tomando espaço de longas que poderiam abrir a cabeça de alguns "desavisados".

Em breve, postarei abaixo, o trecho da entrevista citada acima, retirada do doc "Do Outro Lado de Hollywood", de 1995 (direitos reservados a Sony Pictures, excerto retirado sem fins comerciais). TEJEM AVISADOS (sic) QUE TEM HOMENS SE BEIJANDO.

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