sexta-feira, 6 de junho de 2014

Rápida: "Clarina" e a "destruição" da família brasileira

Em lugares diferentes e por mais de uma vez vi pessoas assistindo e criticando cenas da Clara e da Marina em #EmFamilia com o argumento de que "a Globo quer fazer a gente achar que isso é certo".
Apesar de todas as brincadeirinhas sobre o trejeitos afeminados e críticas que eu ouvia na época de Niko e Félix, em nenhum momento percebi esse tipo de frase sobre o casal em #AmorAVida ao vivo (mas, claro, que sempre li muita crítica em internet). E olha que moro num(a) estado/cidade dos(as) mais homofóbicos(as). Pelo visto quando se trata da atração lésbica e, principalmente, quando envolve a "ruína de uma família", as coisas ficam mais pesadas e o público volta a ser conservador num setor da teledramaturgia que já avançou largos passos há alguns meses.

Mas vem aí #Império, a próxima novela das nove, com seus três gays afeminados/caricatos/estereotipados e o público pode voltar a rechaçar os já conhecidos tipos homossexuais de novela sem se preocupar com um possível complô da Globo pra "tornar o homossexualismo regra no Brasil". E virão mais porteiros nordestinos, mais periguetes da favela, mais negros em papéis secundários e mais minorias sendo minorias em tramas da TV.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Praia do Futuro e o "mito Capitão Nascimento"

Na minha singela opinião, os "problemas" que "Praia do Futuro" vem sofrendo com o público partem de dois conflitos principais: do "mito do Capitão Nascimento", que os brasileiros compuseram a partir da atuação de Wagner Moura nos dois filmes da 'saga', já que pra boa fatia dessa gente, o ator que fez o herói machão caçador de "mofis" cariocas "não pode se" (sic) Donato, o salva-vidas que ele interpreta nesse longa novo; do fato de "Praia" ser um dos primeiros filmes do gênero a rodar em larga escala, a despeito da temática gay séria e do ritmo pouco sugestivo (não vi ainda, mas essa é a maior reclamação das pessoas que viram).

Dá pra entender o quanto que esse provincianismo prejudica a recepção comercial de certos filmes com as falas de Harry Hamlin, Barry Sandler e Daniel Melnick no doc "O Outro Lado de Hollywood". Segundo a fala dos três, ator, roteirista e produtor, respectivamente, do ótimo "Fazendo Amor", de 1982, produzido pela gigante Fox e pioneiro no campo em que o Brasil só está entrando agora, durante certas sessões houve gente saindo dos cinemas, gente reclamando que "não foi avisada" e a imagem de machão de Hamlin (que tinha interpretado Perseu um ano antes no clássico "Fúria de Titãs") indo por água abaixo - coisa que ainda não aconteceu com o Wagner Moura. No longa, Harry Hamlin faz o "destruidor de lares" que desperta o interesse emocional do personagem de Michael Ontkean, casado há anos com uma mulher e mantenedor de uma relação aparentemente estável.

Demorou alguns anos para que os estúdios reconhecem essa temática como realmente válida e para que o público reconhecesse boas histórias "no meio daquele monte de veado e sapata se pegando". Na verdade, os louros só viriam com "Meninos Não Choram", "Monster" e "Brokeback Mountain", ganhadores de Oscar e que estrearam nos cinemas entre o fim da década de 90 e o começo da década passada. Como o fenômeno é novo, não perceberemos mudanças enquanto as produtoras não baterem nessa tecla e botarem mais filmes como "Praia" em circuito grande no Brasil. Mas, nós sabemos que no mundo do cinema comercial mainstream, não há espaço para "praias do futuro", e que, pelos menos por alguns anos, vamos continuar a ver as comédias da Globo Filmes tomando espaço de longas que poderiam abrir a cabeça de alguns "desavisados".

Em breve, postarei abaixo, o trecho da entrevista citada acima, retirada do doc "Do Outro Lado de Hollywood", de 1995 (direitos reservados a Sony Pictures, excerto retirado sem fins comerciais). TEJEM AVISADOS (sic) QUE TEM HOMENS SE BEIJANDO.